Natureza-morta - Cacaso

Cacaso (Antônio Carlos de Brito)



Magra, a sala
respira a última transparência
do móvel, e este azul da
          laranja.
Jantar: o ato se faz pela
                    artéria,
ironicamente viramos cerne.

E murchos, miramos deste cubo
onde jazemos, ausência de gomos e
formas matizadas,
a absurda decisão do           enforcado.




Fonte: "Poesia completa", editora Companhia das Letras, 2020.
Originalmente publicado em: "A palavra cerzida", José Álvaro Editor, 1967.