* - Emílio Moura

Emílio Moura - poeta da segunda geração do modernismo brasileiro
Emílio Moura



Formas que em vão persigo: se é que alguma
coisa ainda sois, mostrai-o ao pensamento.
Quando mais me procuro, mais me invento,
perco-me todo, esfaço-me na bruma.

Nem um raio de luz neste momento.
Que aconteceu que a sombra se avoluma?
Por que tudo se perde como a espuma?
Por que a vida se esvai como um lamento?

Forma que em vão procuro: ardo em meu sonho.
Quero fixar-vos. Luto. Que medonho
pânico em tudo! Que clamor profundo

sobe da treva. Que estertor imenso!
Por que tudo agoniza quando penso?
Ó solidão sem fim de antes do mundo!




Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "O instante e o eterno", Edições Hipocampo, 1953.