Amor vegetal - Affonso Romano de Santanna

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Affonso Romano de Santanna



Não creio que as árvores
fiquem em pé, em solidão, durante a noite.
Elas se amam.  E entre as ramagens e raízes
se entreabrem em copas
em carícias extensivas.

Quando amanhece,
não é o cantar de pássaros que pousa em meus ouvidos,
mas o que restou na aurora
de seus agrestes gemidos.




Fonte: "Intervalo amoroso", editora L&PM, 1999.
Originalmente publicado em: "Intervalo amoroso", editora L&PM, 1999.