Emílio Moura
Enquanto os homens se agitam e se entredevoram, enquanto
os autos voam pelas avenidas, os garotos anunciam os matutinos, e os bancos se abrem,
dentro de nós,
as mesmas sombras de sempre estão cantando a mesma estória de sempre.
Entretanto, lá fora,
eu sei que faz sol, lá fora.
Que força estranha
me impele assim para mim mesmo?
Um dia, entretanto, eu tenho certeza, nenhum obstáculo será mais possível
e, livre, livre,
a vida há de prosseguir viva dentro de nós.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Canto da hora amarga", Editora Os Amigos do Livro, 1936.
