Emílio Moura
O céu sobre a montanha abria-se ao menino
num aceno de azuis, de fogos e violetas.
Perto, o rio, ah, tão perto, o rio e seu chamado
eram vivas manhãs de orvalho e de cascatas.
Os ventos da fazenda iam longe e traziam
um perfume de flor, de frutos e de pastos.
O gado sobre a relva adormecia os campos
ruminando em silêncio as horas alongadas.
Mas, que seres surgiam entre as árvores, entre
as sombras do curral, escondidos no bojo
da noite, quando a noite engolia a fazenda?
Que cavalo infernal galopava na estrada?
Quem gemia no vento e uivava na varanda?
Quem vinha estrangulá-lo, ó Deus, naquele quarto?
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "A casa", Edições Tendência, 1961.
