Emílio Moura
Nesta hora insolúvel,
apego-me a tudo:
presente, passado...
Futuro? Este é mudo.
Invento prodígios,
a ver se me iludo.
A mágica falha.
Do fundo da noite,
de mãos estendidas,
virá quem me valha?
Nesta hora insolúvel,
perdi meu caminho:
Nem rota, nem porto.
Quem é que me conta
se estou vivo ou morto?
Navego sozinho.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "O espelho e a musa", Movimento Editorial Panorama, 1949.
