Emílio Moura
Agora, não é apenas o intraduzível soluço
que vem até nós como se viesse de um túnel.
Que será de nós,
se a esperança acaba?
Que será de nós,
se a noite desaba?
Agora, já não é o gesto desesperado
dos que são presas de dor e pânico.
Que será de nós,
se a esperança acaba?
Olha: é o próprio silêncio que, de súbito,
cai sobre nós, túnica e gelo.
Que será de nós,
se a noite desaba?
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Cancioneiro", 1945.
