Emílio Moura
É inútil continuar à espera se o céu já está vazio de estrelas,
se eu sinto que estou sozinho e que tudo aqui está desamparado.
Eu sei que tudo é inútil.
Os ventos virão e, docemente, abafarão todas as vozes,
e estrelas inumeráveis já não brilharão mais no céu distante.
Eu sei que tudo e inútil,
e sinto, agora, perfeitamente, que todas as estrelas já estão frias e mortas,
e que teu corpo já desapareceu para sempre das asas fluidas desta noite.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Canto da hora amarga", Editora Os Amigos do Livro, 1936.
