Astrid Cabral
Cururus e murucututus
acocoravam-se no breu.
Noites de lampiões cegos
e estrelas nem sombra.
Senhora Dona Sancha a lua
não descobria o rosto
que todos queríamos ver.
Sorrisos de fogareiro
pitávamos boca-de-fogo
faíscas de valentia.
Medo cica grude de abiu
visgo de jaca mole verde
fazíamos das tripas coração
o coração gafanhoto aos pulos.
Íamos em trotes tropeços
às manjas e cabras-cegas
por entre galhos fantasmas.
Urtigas carrapichos espinhos
fincavam afiados alfinetes
nas pernas-pra-que-te-quero.
Lá vem o curupira cambota!
O curupaco-papaco-paco!
era o grito de guerra.
Mãos de jia alma de gelo
buscávamos refúgio no sono:
a rede virava lagarta pintada
quem foi que te pintou
jiboia silvando nos ganchos
canoa de montaria boiando
na cacunda assombrada
de botos e boitatás.
Fonte: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
Originalmente publicado em: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
Fonte: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
Originalmente publicado em: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
