Emílio Moura
Se eu algum dia regressar (oh! as impossíveis viagens em que meu corpo não estará presente!)
eu bem sei que só há de ser com o propósito de partir de novo.
Agora, por exemplo:
Tudo me traz, agora, esta ânsia virgem de mar alto.
Partir, partir, de novo...
Prestígio das ruas mal entrevistas, eu vos evoco;
eu vos evoco, sim, figuras sem nome, estradas esquecidas,
corpos de jamais, eu vos evoco.
Olhai: à sombra das coisas visíveis e invisíveis,
tudo se revelará, um dia, como no momento mesmo da criação.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Canto da hora amarga", Editora Os Amigos do Livro, 1936.
