Emílio Moura
De que menino fala esta balada,
de que rua da infância esta cantiga?
Ouço o meu nome. É outro nome. Em cada
sombra que chega há tanta sombra antiga.
Esse vento, essa luz, essa calada
forma de ser que, atenta, se investiga,
tudo é regresso, é refazer de estrada,
nessa parte de mim que se desliga
e recria, no tempo, outro passado,
outro reino, outras almas, outra infância,
ó signo do vivido e do inventado!
Que eu diverso de mim surge à distância?
Que voz do tempo morto a que me embala,
se não sei de quem seja e de quem fala?
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Habitante da tarde", 1969.
