Emílio Moura
Entre o sonho e a aurora,
forma-se a rosa,
mito e milagre,
aurora e sonho.
Entre o sonho e a aurora,
forma-se um reino,
alto, invisível,
teu reino, Eliana.
Eliana, filha da aurora,
Eliana, sílfide,
asa de ânfora, Eliana.
Quem descobriu Eliana?
Aves, que emudecestes:
Quem deu voz a Eliana?
Brisa sobre a relva:
Quem deu asa a Eliana?
E vós, tardes de abril,
manhãs de maio:
Quem deu alma a Eliana?
Eliana, corpo mágico:
salta da terra, é fonte,
voa da terra, é asa.
Se Eliana é a forma que não morre,
como atingi-la ou compreendê-la?
Se transcende a si mesma,
como invocá-la com palavras?
Aurora?
Fonte?
À medida que Eliana ascende,
como a luz é mais luz
e o tempo estático!
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "O espelho e a musa", Movimento Editorial Panorama, 1949.
