Astrid Cabral
Falo de um tempo extinto
de um espaço perdido
em rios e navios
de promessas e esperas
quando o ser aprendiz
desconhecia o mapa
e se feria em quinas
de esquinas e de pedras
a chorar ante as guerras
nas telas dos cinemas.
Ah amor sem futuro
traições sem reparo
e os esforços sem lucro!
Eu a chorar pitangas
no frio ombro das fronhas
madrugadas afora.
Temporadas de lágrimas
fáceis e sem consolo
coração posto em cacos.
Lição de vida, não?
As coisas não mais doem,
e a carne já não geme
sob garra de urtiga
e a tragédias assisto
com estes olhos secos.
Tanto penei na estrada
entre abortos de sonhos
perdas em carne viva
que ora me reconheço
oh assombro, longínquo
ente de outro universo!
Será a vida vacina
remédio contra a sina?
Ou de há muito morri
e sequer percebi?
Fonte: "Rasos d'água", Editora Valer, 2003.
Originalmente publicado em: "Rasos d'água", Editora Valer, 2003.
Fonte: "Rasos d'água", Editora Valer, 2003.
Originalmente publicado em: "Rasos d'água", Editora Valer, 2003.
