Emílio Moura
Com que nuvens e névoas te protejo,
em que altitudes de asas te imagino,
em que véus de distâncias te revejo?
Quero-te mito. É como quem recria
uma rosa; ou, talvez, como quem joga
nuvens e névoas sobre a luz do dia.
Como ocultar-te ao coração faminto?
Calo o que sinto, grito o que não sinto,
fujo, perco-me, oculto-te e, em seguida,
ainda te vejo a ressurgir de tudo,
insensível à mágica aturdida
deste fugir de mim com que me iludo.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Desaparição do mito", 1951.
