Astrid Cabral
Aquela terra, muitos dizem, permanece
em que pese a fúria da corrente cor-
roendo-lhe o corpo de barro ao sol.
Ali, o reino de avós e pacíficos
bichos, bois de cordiais apelidos
cavalos já mansos sob os selins
pastando em matagais de carrapichos.
Terra de grelos e de cambuquiras
bambus, cipós, ervas-de-passarinhos
ovos de onde explodem cascos e penas
cajus disputados ao bico de aves
luas ceifando piranhas nas águas
rolos de cobras quais fumos de corda.
Cavalgando barrancas derrocadas
o perfume dos pendões de angélicas
rosas cambraias e manacás no sereno
aporta a mim varando o rude tempo.
Ali o reino que meu sonho tece.
Aquela terra, também digo, permanece.
Fonte: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
Originalmente publicado em: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
Fonte: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
Originalmente publicado em: "Visgo da terra", Editora Valer, 2005.
