Astrid Cabral
As cigarras serram
toras ao sol.
Torram as horas
derramando alarde.
Arrastam-se
rasgando a seda da tarde
escarrando ária metálica
arranhando tímpanos.
Ocultas nas ramas
em histérica algazarra
chamam a chuva que tarda.
Desesperadas
despedem-se pondo
a praça em pânico.
Fonte: "Intramuros", Editora Valer, 2011.
Originalmente publicado em: "Intramuros", Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, 2011.
