Canto da hora amarga - Emílio Moura

Emílio Moura - poeta da segunda geração do modernismo brasileiro
Emílio Moura



Agora que já sei de quem são esses apelos desesperados
e por que são
como poderei acreditar que o simples nascimento do dia
seja como aurora de redenção
dentro de cada um de nós?

Até quando, Senhor, essas vozes serão as nossas vozes?
Oh! elas vibrarão sempre, eu sei,
vibrarão sempre, até que, um dia
alguém que venha de muito longe
espante a grande, a infinita sombra
que cobre o mundo.




Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Canto da hora amarga", Editora Os Amigos do Livro, 1936.