Emílio Moura
Água estagnada,
nuvem parada,
folha perdida,
pássaro de asa
partida.
- Ó vento que morreis,
de leve, de leve,
despertai!
Luz que se apaga,
sombra diluída,
névoa que vaga,
voz que se cala,
ferida.
- Ó vento que adormeceis,
de manso, de manso
gritai, gritai!
Tímida esperança,
pálido desejo:
a tarde tão mansa,
tão lânguida a noite
que vem.
- Ó alma náufraga,
como tudo o mais:
desesperai!
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Cancioneiro", Edições do Trevo, 1945.
