Emílio Moura
O que havia nas horas que passavam
e ardia, ardia, no ar, imensamente;
o que havia (era tanto!) e já formava
um ser que se buscava e não se via,
era um mas, ou um talvez, era a incerteza
do que, sendo, não sendo, se furtava
à vista que, no entanto, a si se dava
o que, essência do sonho, já floria.
Eram germes de mitos que nasciam,
o amor sorrindo, absurdo, à eternidade
de um momento, nem mais, talvez nem isso.
Era a voz das distâncias sem limites,
a alma boiando, fluida, sobre o mundo,
era o medo da morte, sempre a morte.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Habitante da tarde", 1969.
