Emílio Moura
Procuro-te nas coisas, não te encontro.
Procuro-te em mim mesmo. No que existe
em mim de mim. Procuro-te no tempo,
aqui, ali, no que a alma, porque alma
cria e recria, indefinidamente.
Sonho! És sonho. Mas, no íntimo, a incerteza:
que resta do ar do sonho que se sonha,
se a alma se move numa dança absurda?
Como entender-te, ó vida, se caminhas
entre o que é, na essência, e o imaginário,
a um só tempo afirmando-os e negando-os?
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Poesia", 1948.
