Adriane Garcia
Toda noite morríamos mais um pouco
Fingindo que
Nosso cavalo era o unicórnio encantado:
Pangaré estava manco e devia ser sacrificado
Toda noite morríamos mais um pouco
Fingindo que
O beijo dele me despertava:
Eu era movida para o tédio e o nojo
Toda noite morríamos mais um pouco
Fingindo que
Nosso castelo era construído para a eternidade:
Eram rachaduras que formavam nosso teto
Mas toda noite morríamos, toda noite insistíamos
Mais um pouco:
Porque não fomos
Felizes para sempre.
Fonte: "Fábulas para adulto perder o sono", Camino Editorial, 2013.
Originalmente publicado em: "Fábulas para adulto perder o sono", Camino Editorial, 2013.
