Astrid Cabral
Camuflar o sentimento
em camadas de recato.
Não deixar que a emoção
transborde a concha do prato.
Cuidar que a avidez do mais
não suste de vez o passo
e a cobiça aflita acabe
sendo embaraço ao abraço.
Contentar-se com o pouco
e prudente, fazer disso
compromisso com o tesouro
futuro, o júbilo adiado
até que o outro perceba
e não mais seja surdo
ao rumor do amor oculto.
Fonte: "Íntima fuligem", Editora Valer, 2017.
Originalmente publicado em: "Íntima fuligem", Editora Valer, 2017.
