Marly de Oliveira
Houve um tempo em que escrevi:
sobre o rio, sobre as casas,
cúpulas, pontes, avenidas,
com acertos de acrobata,
pássaros, metade luz,
metade sombra, levantam
o meio-dia de prata.
Mas o dia era azul e não de prata,
e nascia de si,
não de pássaros
(que também não eram acrobatas).
A realidade parecia insuficiente:
o céu tinha que ser de prata,
os canaviais, espadas flexíveis,
logo os canaviais
que emitiam sons de harpa.
Mas também escrevi depois que
cada coisa está certa em seu lugar
cumprindo o seu destino.
(Só não me lembro onde).
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Retrato", Editora Francisco Alves, 1986.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Retrato", Editora Francisco Alves, 1986.
