Marly de Oliveira
Aquele que semeia escava a terra
e não se aflige,
ama a terra, ama o pó
a que retorna um dia.
Não dá as costas, não vitupera, não grita:
planta.
Aquele que semeia não acha inútil
sua tarefa, nem pensa
na colheita ou no eito,
não se dispersa em palavras,
não se distrai, mas canta,
ele também feliz de ser adubo.
Ele não tem insônia, não faz reflexões
sobre estrelas ou outros objetos inalcançáveis.
Conta com suas mãos: única realidade
concreta/abstrata, palável/impalpável.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Aliança", Editora Nova Fronteira, 1979.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Aliança", Editora Nova Fronteira, 1979.
