Marly de Oliveira
Falei depois na pantera
prisioneira de si mesma,
na negrura toda alerta.
E comparei-a a uma joia
(que contivesse uma fera)
intensíssima e do próprio
sangue animada;
de sua fúria, que alcança
de si o máximo no amor,
à parte qualquer luxúria,
vaga, concreta, flutuando
(em si mesma) parada,
poderosa e bela.
Mas é claro que eu pensava
na condição do animal
todo presente a si mesmo,
íntegro, inteiro, atual,
enquanto nós nos perdemos
em pretérito e futuro,
sem dar a atenção devida
ao que de fato importa.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Retrato", Editora Francisco Alves, 1986.
