Marly de Oliveira
Esta a minha esperança, que conheçam
os desígnios que nos regem, o absurdo
de se aspirar ao absoluto, quando
tudo ao redor nos diz que é impossível
ir além de nós mesmos. Mas um dia
conheceremos, como prometido
nos foi por boca da sibila,
tal como conhecidos se supõe
que sejamos dos deuses?
Que sabe Orpheu, senão apaziguar
com o canto o desespero?
Ele que dá
o que não tem, cai sobre a relva
e chora: esse lamento vem direto
à minha alma e o vento o leva.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Invocação de Orpheu", Editora Massao Ohno, 1979.
Fonte: "Antologia poética", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Invocação de Orpheu", Editora Massao Ohno, 1979.
