Adriane Garcia
Morta, aguardando sopro
Beijo alheio de vida
No féretro
Somente os chilreios dos pássaros
No péssimo humor, desapercebidos
Há tanto tempo passam homens
E bolinam, mesmo copulam
Muitos
Com a morta
O corpo duro não repõe
Fluidos
Não há o rosto angélico do que foi
Outrora:
Cada vez mais é mulher
No espelho.
Fonte: "Fábulas para adulto perder o sono", Camino Editorial, 2013.
Originalmente publicado em: "Fábulas para adulto perder o sono", Camino Editorial, 2013.
