Astrid Cabral
Tive anelzinho de ouro
com nome gravado na chapa
(no azougue mudava de cor).
Tive anelzinho de brilhante
pra usar no dedo mindinho.
Pulseiras de pau-d'angola
com berloques e sininhos
figa de marfim da Índia
dente de onça encastoado.
Tive cordões trancelins
com santos bentos e cruzes
amuletos pra mau-olhado.
Argolinhas de prata brincos
pérolas gotas dançantes
montadas em marcassita.
Tive muitas medalhas
por prêmios escolares.
Colares de rosas saxe
e de miúdas madrepérolas.
Um relógio Longines pra
nunca mais me atrasar...
Perdi os balangandãs
todos sem sequer me dar
conta e sem chorar nenhum.
Não soube cuidar. Não aprendi
a guardá-los fora da lembrança.
Fonte: "Infância em franjas", Editora KD, 2014.
Originalmente publicado em: "Infância em franjas", Editora KD, 2014.
Fonte: "Infância em franjas", Editora KD, 2014.
Originalmente publicado em: "Infância em franjas", Editora KD, 2014.
