Dora Ferreira da Silva
Agora, as coisas simples
antes cegas em nossos olhos.
E nada tocamos
mãos sobre as cordas mudas.
Se o som desperta é dele
o ouvido em flor. Mas corre o sangue
porque tudo é vivo sob as folhas mortas.
Sozinho se arma o acorde no piano
há surpresas na colheita deste ano, novos grãos na seara.
Sobre o braço em ângulo a fronte repousa
e o olhar reflete
uma flor.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Poemas da estrangeira", Editora Massao Ohno, 1996.
