Adriane Garcia
Do que o rio mais se ressente
Não é da solidão sem peixes
Tampouco sua sede sem água
(há tempos já se deu com a lama
e com os dejetos das descargas)
Nem mesmo de viver no escuro
O rio, na concreta caixa
De não ver o sol, nem a noite
À cegueira já se acostumara
Do que o rio mais se ressente
É de não se lembrar do cheiro
Do cheiro que tinham as arrudas.
Fonte: "Arraial do Curral del Rei - A desmemória dos bois", Editora Conceito, 2019.
Originalmente publicado em: "Arraial do Curral del Rei - A desmemória dos bois", Editora Conceito, 2019.
