Adriane Garcia
Laura comprime a quentura das noites
Entre as pernas
E as noites são quentes como a lua
Lembrando-se da última visita do sol
É assim que estremece
Com o roçar dos dedos
Na seda
Sem poder haver
Confissão
Um uivo surdo, preso, calado
Um uivo que só comunga com as lobas
No mormaço
Úmidas, tão sozinhas quanto ela
(as mãos de Vânio, tão longe)
Laura molha o vazio, secreta águas
Guarda fomes incalculáveis
Que não se saciam
Bordando o enxoval.
Fonte: "Arraial do Curral del Rei - A desmemória dos bois", Editora Conceito, 2019.
Originalmente publicado em: "Arraial do Curral del Rei - A desmemória dos bois", Editora Conceito, 2019.
