Adriane Garcia
Quando o que vem é o abandono
Tudo se encolhe pela metade
Bebê que chora, mãe que não vem
Vida encharcada de urina
Mamadeira quente na língua
Desejada, pois melhor que a fome
Roupa suja, malcheirosa
O mundo de nariz virado
O corpo do abandonado vive
Comprimido, a implorar sorriso
E aos raros dar-se inteiro:
Alma, sangue, carcaça.
Fonte: "O nome do mundo", Editora Armazém da Cultura, 2014.
Originalmente publicado em: "O nome do mundo", Editora Armazém da Cultura, 2014.
