A flor murcha - Astrid Cabral

Astrid Cabral - poeta contemporânea do final do século XX
Astrid Cabral



Nesta altura dos eventos
cabe aceitar: lembranças
monopolizam a vida.

Foram-se arroubos delírios
impulsos de sonhos loucos
delineando o futuro.

Resta luz de fantasia,
miúda, anêmica, tímida
fósforo quase apagado.

Conspiram as expectativas
logradas, ingênuas quimeras
as mágoas dos desenganos.

E o curto tempo restante
nega chance pra que forte
a flor da esperança brote.




Fonte: "Íntima fuligem", Editora Valer, 2017.
Originalmente publicado em: "Íntima fuligem", Editora Valer, 2017.