Ver - Dora Ferreira da Silva
Poema de Dora Ferreira da Silva
Essas portas do ver: nos olhos belos
pálpebras simulando pétalas
fechando escuras rosas.
Abertas - túneis de luz varando trevas
(tréguas de um passado horto
de um porto se afastando).
A nave se arrisca e já é mar
de pálpebras descidas.
O jardim gera rosas e o espinho ríspido.
O dom vem do profundo: calor do frio
filho calmo do espanto
flor da cicatriz.
Pelas portas do ver nada retenho
sem raiz.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Jardins", Edição da autora, 1979.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Jardins", Edição da autora, 1979.
