Poema de Dora Ferreira da Silva
Na pedra recolho o sol
na pedra quente, imóvel.
E o pródigo calor prodigo,
imóvel, ao corpo que se abeira
desse lago plácido.
Sem turbulência a alma aqueço
ao sol e vai-se este calor
à alma que se abeira, imóvel.
É um signo simples: cadência
de água, incandescência e sol
de quem só se encontra
em plenitude ou ânsia
na pedra quente e só.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Uma via de ser as coisas", Duas Cidades, 1973.
