Cidade - Dora Ferreira da Silva
Poema de Dora Ferreira da Silva
Aqui se cava um túnel:
poço sem água, serpente do vazio.
Passos na terra negra.
Homens golpeiam, dorso arqueado,
braços de veias túmidas.
O mundo se aperta, a vida engorda,
muito. A erva insiste nas frestas,
no capim nascem estrelas de ouro.
Dois velhos serram um tronco,
longo trabalho, um de cada lado.
No espaço, a mesma lua, magro perfil.
Gente rente ao chão, tristeza nos farrapos.
Faróis ferem a tarde que se abate.
Iminente a noite e as frias luzes
de tantas possíveis palavras.
Silêncio: muda é a melancolia e sua ronda.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Uma via de ser as coisas", Duas Cidades, 1973.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Uma via de ser as coisas", Duas Cidades, 1973.
