191. Congado papa-capim

crroma



Ó companhia,
quem é a mãe dos passarinhos?
Abriu sol no descampado
e sereno derramou-se
pela aba do chapéu.
A mãe dos passarinhos ninguém viu.

Papa-capim, sem manhas como a jonga,
canta mateiro a beleza,
tui-tui,
vi-vi-ti
e siu-siu.

Ó companhia,
encanto do papa-capim,
simultânea perdição.
Homem mandou recado.
Passarinho que no céu bandeava,
fechou-se no cativeiro.

Onde a mãe dos passarinhos?
Papa-capim escravizado
na labuta de cantar.
Asas vedadas de nuvens.

Cheio de pedras,
o cesto de catolezeiro
vai a nenhum lugar.

Agreste de Pernambuco,
promoveram um torneio.
Papa-capim melhor cantante vale patrimônio.
Do meio de tantas gaiolas rogou-se,
rogou-se
pela mãe dos passarinhos.

Faltou semente na gunga para fazer barulhinho?
Porque a mãe nunca veio...

Ora, companhia,
em vez desbandeirou-se a polícia
no confisco dos papa-capins.
E com salves carregou
os homens para a delegacia.




(Do Diário de Pernambuco: 'PM prende cerca de 50 pessoas em torneio ilegal de canto de pássaros em Bezerros')