180. Balada das três mulheres

crroma



À bordo do automóvel as três mulheres
engarrafadas por um semáforo inoperante.
Chovia e ventava e mal enxergavam
pelas janelas às 5 horas da tarde!

De que importa outros,
em cidades estrangeiras,
transitarem em modos públicos?

As três mulheres não moviam-se no trânsito.

Uma árvore balouçava no exterior tempestuoso.
Parecia cair e veio caindo lentamente.
Ó pancada de mortífera potência, bateu amassando
a lataria afundando o teto
estilhaçando vidro no colo das três mulheres em pânico.

À bordo do automóvel as três mulheres mesclaram-se
aos galhos à chuva ao relento.
As três mulheres intactas,
presas pelo tombamento.

E se perguntassem: o que foi da árvore?

Ela jazia inerte,
em parte ancorada sobre o automóvel,
em parte desfeita
no asfalto da rua Artur Azevedo.