Emílio Moura
O homem abisma-se triste
só com seu pensamento.
Por que tudo o que existe,
a água, a pedra, o vento,
perde a voz de tão quieto
só porque a noite veio
com seu filtro secreto
e uma chaga no seio?
O homem abisma-se. Mudo,
só com a sua palavra.
Mas a noite já lavra
o infinito: e, de tudo,
tira e joga - que belas!
na abóbada vazia,
olha - tantas estrelas.
E, ávido, o homem faz delas
uma nesga de dia.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Itinerário poético", 1969.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Itinerário poético", 1969.
