Emílio Moura
Os sinos cantando, as sombras todas se diluindo
dentro da tarde. Dentro da tarde, o teu grave pensamento de exílio.
Por que ainda esperas? Aqui termina o caminho,
aqui morre a voz, e não há mais eco nem nada.
Por que não esquecer, agora, as imagens que tanto nos perturbaram
e que inutilmente nos conduziram
para nos deixar, de súbito, na primeira esquina?
Essa voz que vem, não sei de onde,
esses olhos que olham, não sei o quê,
esses braços que se estendem, não sei para onde...
Debalde esperarás que o eco de teus passos acorde os espaços que já não têm voz.
As almas desertaram daqui.
E nenhum milagre te espera,
nenhum.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Canto da hora amarga", Editora Os Amigos do Livro, 1936.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Canto da hora amarga", Editora Os Amigos do Livro, 1936.
