Adriane Garcia
Acordam cedo, é junho
E seguem para o algodoeiro
Os galhos estralam, estão no ponto
Para suportar a explosão dos capulhos
A flor é leve, é flor de nuvem
Mas tantas são que fazem nevoeiro
Os braços cansam, o dia inteiro
No sol que escalda e entristece os frutos
Sacos de linhagem vão ficando cheios
E se de nuvens, de onde vem seu peso?
Parar pro almoço, pequena sesta
Tirar chapéus, falar do alheio
Mais tarde a volta, a plantação é grande
Nos dias próximos, descaroçamento
E tudo segue, fibra na roca
E vão assim, para quem tecendo?
Fonte: "Arraial do Curral del Rei - A desmemória dos bois", Editora Conceito, 2019.
Originalmente publicado em: "Arraial do Curral del Rei - A desmemória dos bois", Editora Conceito, 2019.
